Crítica, dirigida ao contexto do município de Caicó, incorporando aos dados de transparência pública municipal do legislativo.
É preocupante constatar hoje que todos vereadores e vereadoras da Câmara Municipal de Caicó parecem enxergar as diárias como um “vale viagem mensal”, priorizando deslocamentos e ganhos pessoais em vez da presença e atuação efetiva no município. A essência do mandato municipal — criar leis, fiscalizar o Executivo, atender às necessidades da comunidade — exige permanência e proximidade com a realidade local. Quando o parlamentar passa uma boa parte do tempo fora, acaba por perder a função para a qual foi eleito.
Nesse sentido, merece destaque e elogio o vereador Max Antônio Azevedo de Medeiros — segundo os registros públicos disponíveis no Portal de Transparência da Câmara, ele foi o único entre os atuais e os antigos vereadores que, no período completo de sua legislatura, não recebeu nenhuma diária entre 1º de janeiro de 2021 e 31 de dezembro de 2024.
Esse fato deveria servir como parâmetro de coerência e compromisso: estar onde o mandato precisa ser exercido, evitando viagens frequentes custeadas pela comunidade. Para quem representa o povo, não há substituto para estar presente.
Quando vereadores fazem exatamente o contrário — ausentar-se constantemente e depender de diárias —, estão, na prática, abandonando o papel público que lhe foi confiado. Isso revela um equívoco fundamental sobre qual é a verdadeira função de um parlamentar municipal e uma falta de respeito com quem o elegeu e com quem gera o dinheiro público: impostos pagos por todos.
Portanto, o mandato não deve ser um convênio de comodidade, mas um compromisso de serviço. Quem age de outro modo, distancia-se da responsabilidade real do cargo.
Por Flávio Modesto!
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